quinta-feira, 26 de novembro de 2015

O que a mulher de 30 sabe

Hoje, resolvi escrever este texto após uma conversa muito boa que tive com um amigo, uma conversa que me fez refletir sobre alguns acontecimentos do passado que me aborreceram, mas que me ensinaram muito.

Hoje, eu finalmente percebi que muitas pessoas já conseguiram mudar o que eu sentia por elas, mas não conseguiram mudar o que sinto por mim — pois posso afirmar com convicção que, HOJE, o que sinto por mim mesma é inabalável. É indescritível esta sensação de felicidade, de quando você olha para dentro de si mesma e gosta do que vê. São coisas que somente o tempo e a maturidade proporcionam. Então comecei a pensar no quanto eu mudei nos últimos 3 anos... depois de virar balzaquiana.

Depois dos 30, a gente aprende que viajar e tirar férias sozinha pode ser surpreendente e que isso pode trazer descobertas maravilhosas sobre nossa própria pessoa.

Depois dos 30, a gente aprende que a melhor época da nossa vida é agora e que esta é nossa melhor versão de nós mesmas.

Depois dos 30, a gente aprende que, quando a gente se ama acima de tudo e de todos, ninguém consegue mudar o que sentimos por nós mesmas.

Depois dos 30, a gente aprende que, quando estamos sós, estamos na melhor companhia possível.

Depois dos 30, a gente aprende que ter alguém é fantástico, mas que o amor de outra pessoa não é a coisa mais importante nesta vida.

Depois dos 30, a gente aprende que, não importa o quão maravilhosa sejamos, nem sempre “aquele cara” estará preparado para viver ao lado de uma mulher assim.

Depois dos 30, a gente aprende que não vale a pena manter um relacionamento por preguiça de conhecer outras pessoas.

Depois dos 30, a gente aprende que o nosso comodismo custa caro, custa muito caro: custa o nosso tempo — e o tempo desperdiçado jamais voltará.

Depois dos 30, a gente aprende que desistir de algo, muitas vezes, é só para os fortes, pois nem tudo vale a nossa luta e poucos conseguem distinguir isso. Não sei nem se trata-se de uma desistência, estaria mais para uma mudança de paradigma.

Depois dos 30, a gente aprende que autoestima, autoconhecimento e autoconfiança são diferentes pontas de um mesmo nó. Uma mulher bem resolvida, segura de si, só é assim porque aprendeu a amar-se.

Depois dos 30, a gente aprende a deixar de desejar o outro quando o que desejamos está muito além do que este tem para nos oferecer.

Depois dos 30, a gente aprende que viver longe da família é dolorido, mas que isso nos faz evoluir mais rapidamente.

Depois dos 30, a gente aprende que tudo tem seu tempo certo e que, muitas vezes, é preciso dar um passo para trás para, depois, dar dois passos à frente.

Depois dos 30, a gente aprende que, não importa o quanto as coisas deram errado, sempre teremos a oportunidade de um recomeço.

Depois dos 30, a gente aprende que amigos de verdade nunca saem das nossas vidas, mesmo que a distância nos separe por anos, mas aprendemos que temos que deixar a porta sempre aberta para a chegada de novos amigos.

Depois dos 30, a gente aprende que amar o outro mais do que a nós mesmos só nos traz dor e sofrimento.

Depois dos 30, a gente aprende que mais vale viver somente com um gato e um cão e ser feliz, do que estar em um relacionamento falido só para manter o status no Facebook.

Depois dos 30, a gente aprende que um casal, para funcionar, precisa "viver como um casal", e não como dois colegas de quarto que dividem as despesas e os afazeres domésticos.

Depois dos 30, a gente aprende que a amizade é um amor mais sincero do que o amor romântico. A amizade não exige exclusividade, a amizade sobrevive mesmo a distância, a amizade não faz cobranças sem fundamento; seus amigos nunca irão vasculhar seus e-mails, redes sociais, computador ou seu smartphone em busca de pistas de infelicidade infidelidade.

Depois dos 30, a gente aprende que praticar uma atividade física regularmente pode ser bem prazeroso.

Depois dos 30, a gente aprende que não vale a pena desperdiçar nosso amor com uma pessoa que não pode nos amar.

Depois dos 30, a gente aprende que "a dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional", e que só algumas coisas (e raras pessoas) merecem nosso sofrimento.

Depois dos 30, a gente aprende que, não importa o quanto a Capitu seja inocente, sempre vai ter um Bentinho para achar o Ezequiel a cara do Escobar... porque as pessoas só veem aquilo que elas querem ver.

Depois dos 30, a gente aprende que, não importa o quanto alguém nos feriu e o quanto estamos desacreditas do amor, sempre poderemos nos apaixonar de novo e nos estrepar de novo. Mas, tudo bem, afinal, superar uma desilusão está bem mais fácil agora, depois que aprendemos tantas coisas.

Depois dos 30, a gente aprende que ser feliz só depende de nós mesmas.

8 comentários:

Anônimo disse...

Espero que você tenha lido.

Patricia L disse...

Meu amigo, eu não faço ideia de quem você é, logo, não sei do que está falando. Se está falando do meu próprio texto, sim, é claro que li - inclusive sempre leio o que escrevo.

Patricia L disse...

Agora, se você é um fã meu e escreveu um texto em minha homenagem (porque se é pra eu ler, só pode ser isso), que tal deixar o link aqui? Juro que lerei com o maior prazer!

Anônimo disse...

Opa, me referi ao comentário anterior que foi apagado. Disse que este é um ótimo texto. Infelizmente o curso da vida não segue em linha reta, e entre tantas curvas pisamos em pedras doloridas para aprender as lições. Espero que todas nós, um dia possamos dizer essas palavras, depois dos 30, ou no momento certo.
A parte positiva é que depois dessas grandes pedras o caminho fica mais suave. Então, aproveite a caminhada.

Patricia L disse...

Belas palavras! Obrigada pela visita... Mas por que não te identificas. Gosto de conhecer minhas leitoras.

Anônimo disse...

Não gosto de me explicar. Vamos deixar como está. Parabéns por sua conquista.

Haniela Camila disse...

Pati, que texto maravilhoso! É como uma daquelas cartas que o "nosso eu adulto" manda para o "nosso eu adolescente". Na minha opinião, um dos seus melhores textos! Sou tua fã, guria! Tu é fantástica!!

Haniela Camila disse...

"Depois dos 30 a gente aprende que é muito bom ter uma amiga de 20, meio fora da casinha e sapatão, só pra ter umas historias pra contar e rir um pouco". Achei a parte que falta pro teu texto ficar perfeito hahahha