quarta-feira, 17 de maio de 2017

QUEBREI A CARA!

Quem nunca quebrou a cara, não é mesmo? Eu quebrei diversas vezes... 

Quando, aos 16 anos, me apaixonei por um músico, que tinha uma pretendente em cada cidade que ele ia tocar...

Eu quebrei a cara quando larguei a faculdade de jornalismo para ir para Santa Maria fazer pré-vestibular, objetivando cursar a mesma graduação na Federal.

Eu quebrei a cara, aos 22 anos, ao me apaixonar por um homem 11 anos mais velho do que eu, 11 vezes mais experiente e 11 mil vezes mais esperto e malandro.

Eu quebrei a cara um dia que tomei dois dramins para dormir em uma viagem e, devido ao sono profundo, tive minha carteira furtada da minha bolsa, com todos os documentos dentro.

Eu quebrei a cara quando abri mão de assumir um cargo público para ficar em uma grande empresa privada, só porque o salário e os benefícios eram melhores e então conheci a força do assédio moral.

Eu quebrei a cara todas as vezes que me mudei de cidade para viver algo que eu acreditava que tinha tudo para ser um grande amor.

Eu quebrei a cara uma vez por ter sido simpática com um sujeito que sentou ao meu lado, no ônibus, e entendeu que isso era uma permissão para ele colocar a mão dentro da minha blusa enquanto eu dormia. Ah, mas ele também quebrou a cara ao fazer isso!

Eu quebrei a cara quando pensei que uma pessoa espontânea como eu conseguiria viver ao lado de alguém que não tinha nenhum senso de humor.

Eu quebrei a cara quando me encantei por um homem que já era apaixonado por outra pessoa, mas que fez de tudo para que eu me apaixonasse por ele e depois simplesmente sumiu para ficar perto dela.

Eu até já quebrei a cara este ano, pois no ano passado disse que não me apaixonaria antes de concluir o mestrado... kkkkkkkkkkkkk...

Eu quebrei a cara em 2016, quando ignorei o alerta de tantas pessoas sobre os perigos de se pilotar uma motocicleta. Metaforicamente, já quebrei a cara tantas vezes nesta vida... mas, literalmente, essa foi a única: o dia em que eu caí de moto e, mesmo usando um capacete todo fechado, QUEBREI DOIS OSSOS DA FACE: mandíbula e arco zigomático. Oito dias internada, uma cirurgia, dois parafusos no rosto, quase 20 dias com dieta pastosa, praticamente 3 meses de inchaço no rosto e sem poder abrir a boca completamente. Só quem já fez uma cirurgia dessas sabe o quanto dói não conseguir comer um churro.

Escoriações foram poucas... mas o susto, esse foi grande. Vendi a moto e comprei um carro. Troquei a economia pela minha segurança, porque chega de quebrar a cara no asfalto. Se tem uma coisa que aprendi é que quebrar a cara dói. Mas dói mais ainda ter que enfrentar isso tudo longe da família.

Então, desde 1º de novembro de 2016 eu tomei uma decisão: a partir de agora, só aceito quebrar a cara metaforicamente. Metaforicamente sou obrigada a aceitar, afinal, Murphy não falha jamais e a vida está aí para nos sacanear e o amor para nos pregar peças...

Por isso, lembrem-se sempre: quebrar a cara é inevitável, mas o aprendizado é opcional.

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