terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Para quem eu escrevo?

Ontem foi aniversário de uma pessoa do meu passado e, obviamente, isso me fez pensar bastante nas coisas que vivemos. Sem saudades e sem rancor, apenas pensei e lembrei. Acabei escrevendo um texto, porque sou dessas que só escreve sobre mim, sim! Não sou boa com ficção. Amarildo Redies, meu grande mestre da Teoria Literária, diria que o que eu faço não é literatura - e não é mesmo, nem tenho essa pretensão.

Conversando com uma amiga que também adora escrever, mas que, ao contrário de mim, é boa com ficção, concluí que "ela tem estilo". Explico as aspas: logo que cheguei à UNILA e conheci essa amiga, que é jornalista (e foi minha colega de trabalho por 1 ano e meio, praticamente), eu comentei sobre um dilema da minha função, que é revisar textos: alguns jornalistas se ofendiam com as alterações que eu fazia em seus textos, dizendo que eu mudava "o estilo" deles. Então, falei, em tom de brincadeira: "Machado de Assis tinha estilo; você, não!". Ela jamais esqueceu essa frase. Ontem até brinquei com ela, dizendo que ela é Machado de Assis e eu, Agusto Cury, uma vez que ela até escreve sobre fatos, mas coloca ficção no meio e, por essa razão, os textos dela estão muito mais próximos da arte do que os meus - que estão no limiar da autoajuda (ajuda a mim mesma, no caso). Eca! 

Mas, tudo bem, ao contrário do Cury, não escrevo para ficar "ryca" e famosa, eu só escrevo porque estou a fim. Escrevo para mim. "Pati, mas se você escreve só pra ti, por que não deixa no Word?". Eu publico para quem quiser ler (e porque talvez minhas experiências, vivências ou simplesmente minhas palavras possam ajudar alguém, de alguma maneira). O nome do Blog diz tudo: "Compartilhando meu mundo" (meu... MEU mundo!). Ninguém é obrigado a ler o que escrevo, se você está lendo isto neste momento, é porque fez uma escolha. Se o que escrevo, de alguma forma, ofende ou incomoda alguém, a conta é bem simples: é só deixar de ler.

Então, desculpe desapontar, mas nada do que escrevo aqui é "para fulano" ou "para beltrano" ou "sicrana". Se alguém leu alguma indireta aqui, é porque de alguma maneira temos algo em comum, mas, sobretudo, isto aqui é a minha vida, são minhas percepções de minhas experiências e eu gosto, sempre gostei de me expressar sobre o que sinto. Sempre me expressei melhor escrevendo do que falando. Alguns dizem que tenho o dom da palavra; não. Eu tenho o dom da escrita e é através dela que me liberto. Isto tudo que está neste blog é sobre mim, e mais ninguém. A forma de eu escrever, às vezes falando diretamente com meu interlocutor, é como se fosse "a Pati do futuro" falando com "a Pati do passado"; "a Pati de agora" tendo um monólogo, ou ainda, fazendo um desabafo para o mundo. Eu escrevo aquilo que não falo. Sabe quando você imagina uma situação e se vê conversando com o espelho? É mais ou menos assim que funciona. 

Um homem com quem me relacionei por alguns anos não suportava este traço meu, achava que eu falava demais, me expunha demais, escrevia demais. Mas esta sou eu: uma pessoa que gosta de escrever sobre a própria vida, que exorciza seus demônios através da escrita - sou egocêntrica? Talvez. Mas se eu escrevo sobre mim e para mim, é porque é uma terapia. Obviamente, muitas pessoas fazem parte das minhas histórias e "ler-se-ão" aqui, mas nada disso é sobre elas, sobre meu ex, sobre minha família: é sobre mim. Só sobre mim.

2 comentários:

Amarildo disse...

Não sei se é literatura... mas, ao afirmar isso, estou no fundo dizendo que é literatura, pois ela não cabe numa definição. Por outro lado, se não é literatura, o que é então?
Quando escrevemos sobre nós, fazemos ficção (o poeta é um fingidor...).
Além disso, você está certa, tem o dom da palavra escrita sim.
Alunas como você deixam saudade, vácuos na sala de aula, mas é bom reencontrá-la aqui.

Patricia L disse...

Que honra ter sua visita aqui, professor... e que coisa boa de se ler! Professores como você também fazem falta e deixam um vácuo no meu coração.
Tens razão: às vezes, finjo tão completamente, que chego a sentir que é dor a dor que deveras sinto.
Um grande abraço e obrigada por todos os ensinamentos... e também pela espiadinha.