sábado, 5 de dezembro de 2015

Isso é seu!

Carpinejar já dizia: "antes de falar, é preciso ouvir o que se pensa". Eu preciso ouvir mais minhas próprias palavras. Mas, sobretudo, eu preciso ouvir mais o meu coração.

A desilusão de um casamento que não deu certo provocou algumas mudanças em mim e agora eu estou sempre na defensiva, tentando racionalizar meus sentimentos. Sentimentos não foram feitos para serem racionalizados e sim vividos e sentidos. Já estive em uma situação desconfortável na qual eu não gostaria de ter estado. Aquilo foi tomando conta de mim em uma proporção avassaladora. Eu não conseguia mais ter paz porque me considerava responsável pela infelicidade de alguém. Para mim, só havia uma maneira de reencontrar a paz: pular do barco. E assim o fiz. E lá fora, no mar, eu não encontrei a paz que procurava, mas trouxe outras coisas comigo. Só agora entendo que, ao me jogar no mar, eu o fiz mais por essa outra pessoa do que por mim mesma. E ela nem imagina isso. Eu não calculei as consequências, eu só pensei: "Foda-se, eu sei nadar!". Às vezes, o medo de prejudicar alguém é tão grande, que não pensamos no que estamos sentindo e no que queremos. O maior erro que podemos cometer é não tomar as rédeas da nossa própria vida. Mas eu só queria paz.

Eu jamais me atravessei no caminho de ninguém, mas às vezes acontece de estarmos no nosso caminho e tropeçarem na gente. E eu jamais quis tirar algo de alguém, o que estava em questão naquele barco não eram coisas ou pessoas, e sim sentimentos. Eu não posso roubar um sentimento - eu não obrigo ninguém a gostar de mim, certo? Não se tira uma pessoa da outra, pois as pessoas não nos pertencem.

Se tem uma coisa que eu aprendi nos 7 anos em que fui casada é que as pessoas fazem suas próprias escolhas de sair ou de ficar nas nossas vidas - ninguém decide por elas; então, para mim, elas não são como um troféu, que pode ser tirado de ti. Não. Definitivamente, pessoas não são um troféu! A única coisa que podem nos tirar são nossos bens materiais. E pessoas não são coisas, certo? Pessoas são pessoas e têm vontade própria. Entenda isso e sofra menos.

O que aprendi com aquele salto foi que não precisamos buscar a paz fora da gente, pois ela está dentro de nós (meu deus, que clichê!). Eu ainda nem sei exatamente o que foi que deixei naquele barco, sabe quando você está em meio a muitas caixas, depois de uma mudança, e demora para dar falta de algo? Está tudo bem bagunçado ainda e preciso de uns dias para colocar a casa em ordem... mas pular do barco me fez olhar para ele, à deriva, então me questionei: - O que ficou lá? Acho que ficou só o meu medo de magoar alguém - todo o restante, veio comigo.

Em meio ao caos da minha mudança metafórica, vejo muitas caixas abertas e muitas coisas para serem guardadas ainda. Mas o que é para ser jogado fora eu já joguei: a minha culpa. Não há culpa. No amor, não existem culpados; somos todos vítimas, uma vez que não podemos escolher de quem iremos gostar. E não há maldade em gostar. Nunca vai ser errado gostar de alguém. Quando decidi jogar a culpa fora, eu restabeleci aquela paz que fui buscar dentro do mar. Então, eu finalmente percebi que sou a única responsável pelos meus sofrimentos e que não seria justo responsabilizar alguém por isso. Eu não posso tirar nada de ninguém e ninguém pode tirar nada de mim - o universo se encarrega de fazer tudo e de colocar as coisas no seu lugar certo. E é impossível fugir disso.

Mas o que importa é que agora estou em paz, pois tenho a convicção de que, assim como ninguém tem nada a ver com a minha vida e com minhas escolhas, eu também não tenho nada a ver com os problemas das outras pessoas. Precisei nadar muito em mar aberto para entender isso. O fato é que não entramos na vida de ninguém sem que o outro permita e se a vida de uma pessoa não vai bem porque você apareceu, o problema não é seu. As minhas escolhas não têm nada a ver com a vida de outra pessoa, só com a minha vida - a menos que eu esteja em um relacionamento com essa pessoa.

Então, a partir de agora, eu só carrego comigo o que for meu. Quando estamos em um mar de sentimentos, é difícil discernir o que é nosso e o que é do outro. Claro que ter empatia é importante e nos torna mais humanos, mas não permita que isso o faça tomar uma atitude definitiva para sua vida. O auto altruísmo também é um sentimento nobre.

E se em algum momento alguém tentar te responsabilizar pela sua infelicidade, tenha o discernimento de dizer: "Isso não é meu! Isso é seu". Não há porque carregarmos as cargas emocionais dos outros - você não é o culpado pelo fracasso nem pelo sucesso de ninguém. Deixe que cada um resolva seus problemas e ocupe-se dos seus. Afinal de contas, ninguém vai ser feliz por você, a não ser você mesmo.

"Uma vez, perguntaram a uma mulher sábia:
- Seu marido faz a senhora feliz?
E ela respondeu que não. O marido ficou desconcertado, mas ela continuou:
- Meu marido nunca me fez feliz e não me faz feliz! Eu sou feliz. O fato de eu ser feliz ou não, não depende dele; e sim de mim. Eu sou a única pessoa da qual depende a minha felicidade. Eu determino que serei feliz em cada situação e em cada momento da minha vida, pois se a minha felicidade dependesse de alguma pessoa, coisa ou circunstância sobre a face da Terra, eu estaria com sérios problemas."

(Fonte: familia.com.br [adaptado])

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