quinta-feira, 8 de outubro de 2009

"Eu, por longe, não!!"

Essa é a história da Andréia, uma ex-vizinha minha que era muito figura! Ela era tão figura que tinha um vocabulário próprio. Por exemplo, de onde vim, no Rio Grande do Sul, as pessoas tem o hábito de tomar chimarrão (uma bebida indígena que hoje é bem diferente do que aquela que os índios tomavam), mas a Andréia não chamava a bebida de chimarrão e sim de VERDE - devido à cor da Erva-Mate. Por este motivo, minha prima Isadora (que morava comigo na época) apelidou a vizinha de "Verde".

Pois bem... essa é a história "da Verde" e aconteceu em 2007, quando eu morava em Ijuí (próximo ao Campus da Unijuí - Linha 3 Oeste)... uma vez cheguei em casa quase de noitinha já e, ao me deparar com o portão fechado, dei-me conta de que havia esquecido minhas chaves na casa da minha mãe. Como as pessoas que moravam comigo na época levariam um tempinho para chegar e a casa da minha mãe ficava há uns 5km da minha, recorri à vizinha (que, além de figura, era muito simpática) e lá fiquei jogando conversa fora enquanto o tempo passava... Lembro que a funcionária doméstica da minha mãe havia pedido demissão e ela estava tendo bastante dificuldade de encontrar outra pessoa para trabalhar. Como a Verde trabalhara muitos anos nessa função, eu perguntei se ela por acaso não sabia de ninguém que quisesse trabalhar, mas que deveria morar nas proximidades da casa da minha mãe (o oposto de onde morávamos). A Verde, que desde que o Joãozinho (que, na época, estava com 2 anos) nasceu estava sem trabalhar, ficou toda empolgada e oferecida para trabalhar para minha mãe, dizendo que não conhecia ninguém que morasse lá perto, mas que ela era muito trabalhadeira, caprichosa e que já tinha trabalho para gente "muito fina", como por exemplo o Fulano, o Beltrano e o Sicrano (ela sempre falava das pessoas como se fossem celebridades conhecidas por todos, mas eu nunca conhecia ninguém).
Então ocorreu o seguinte diálogo:

- Eu: Mas, Verde (claro que eu falei Andréia), minha mãe mora do outro lado da cidade, perto do cemitério... é tão longe! Não fica contramão pra ti?

- Verde: Ahhhh, mas eu, por longe, não!!!! Rá! Quem precisa trabaiá de verdade, vizinha, não dá bola pra longe. Isso aí não é nada pra mim! Eu já trabaiei lá na casa do seu Beltraninho, sabe quem é ele né??? Não!? Sabe sim, guria... ele é casado com a Dona Fulana! Ahhh, mas aquela mulher gostava do meu serviço viu? E eles são gente chique, que "inzégem" muito e eles nunca tinham o que reclamar do que eu fazia... e a casa deles, miniiiiiiiiina... aquela casa era grande, viu!!! E longe - 1km pra trás do Quartel. Lá sim era longe, eu acordava todo dia às 6h da manhã, tinha que caminhar até a [Padaria] Tia Lucinda para pegar o ônibus, aí eu descia sabe aonde? Láááá embaixo na 21 de Abril! Rá! Por isso que eu digo que eu, por longe, não!!! Todo dia fazia aquele trecho todo de "a pezito", fazia chuva, fazia sol, uma vez peguei 4 grau negativo... ééééé... mas pra mim não tem ruim, eu trabalhei mais de 2 anos na casa deles e depois eu saí de lá...
... Deixa eu lembrar porque eu saí de lá mesmo... ... ah, tá!!!!! Lembrei! PORQUE ERA MUITO LONGE!!!

7 comentários:

Liliana disse...

hahaha! adorei!

Isadora disse...

HUAAAAAAAAAAUAHAUHAUAHUAHUAHAUHAUHA.
Essa é A MELHOR história da Verde! Cara, é genial.
A Verde é Figura Forcrórica.

"Jão, óia o Uísqueeerr!"

Ticcia disse...

Huahuahuahu. Adorei conhecer a Verde. :)

Jana Santiago disse...

Essa Verde vale musica com toda certezaa!!!

Figuraça cara!!


beijão Pati!!

Dear Lê disse...

HAHAHAHAHAHAH
muito bom!
lembro afu da Verde!

Dear Lê disse...

afinal...ela foi trabalhar pra tua mãe?

Patrícia disse...

Não, a Verde nunca trabalhou na minha mãe (era muito longe)!